Depoimento de Job Henrique, participante da 5º Expedição

Desde que Deus pôs em meu coração ir à viagem missionaria ao sertão do Piauí, algumas coisas me preocuparam.

O clima quente de temperaturas entre 24 a 40 °C, a falta de água e alimentos na região, a fome em si, o catolicismo em extremismo no estado, e as dificuldades diárias que seriam descobertas no vivenciar da missão.

Mas ainda sim, quando Deus pede algo, é por que ele nos capacitara a tudo quanto nos achamos incapazes.

Minhas primeiras impressões sobre o Piauí foi de literalmente a palavra morte, mas isso no processo de ir ate a cidade em que ficaríamos. Ao descer na capital de Teresina, já pude perceber a cultura local, as vestimentas das pessoas, as lojas com produtos típicos para turistas e também produtos locais, como muitas bebidas que se devem consumir na região e alimentos também. Em Teresina, vi o investimento governamental, há torres de telecomunicação, comercio pelos quadrantes da cidade, carros das mais variadas marcas, população à noite nas ruas, e seguimos rumo a campo alegre do fidalgo.

Quando nos afastamos da capital, a região já ia mudando drasticamente. Seguimos por aproximadamente 12 horas ate campo alegre, passando por cidades já pequenas, e em muitos caminhos de visões sobre o sertão piauiense. Era uma região de muita vegetação seca, diversas, inúmeras arvores uma a lado da outra, porem todas com as folhas secas, a maioria já sem folhas, muitos galhos e troncos no chão, chão esse de terra, até parecia que estes galhos haviam pegado fogo, pois já estavam tão pretos e secos, como se tivesse sido utilizado de alguma forma. Fiquei impressionado com essa visão, até então vista em programas televisivos e filmes em geral, mas uma vez estando lá é diferente, você sente o calor na sua pele, você esta vendo a vegetação seca, você esta situado naquele meio e ou segue a diante em seu destino, ou fica ali percebendo que o nada praticamente vive ali.

 

Vou generalizar os povoados que visitamos e a cidade em que ficamos pelo nome Piauí, o calor no Piauí é muito grande, basta uma caminhada pela cidade, para perceber o cansaço aflorar sobre você, a cada lugar que se visitava você pode observar muitas cercas feitas de galhos ou troncos robustos, grandes e fortes, para isolarem uma área pertencente a um dono. Quanto mais observava essas áreas, imaginava, “Meu Deus, são donos do que?” não havia mato, grama ou verde, não havia arvores, não havia animais, somente chão, terra, tronco de madeira, pedras, somente a cor laranja, até cair em consciência que eram regiões de plantio, podiam ser fazendas pela grande extensão do cercado, campos de arroz, feijão, algodão, gado, enfim, agricultura, mas em TODAS AS AREAS visitadas, não HOUVE UMA QUE TIVESSE PRODUÇÃO, foi chocante ver isso, e conversando com cada pessoa dos povoados, eles mesmo diziam, “Aqui não chove há dois anos, toda nossa produção foi perdida, precisamos de ajuda”.

Em uma pesquisa que fiz, pude ler que no estado do Piauí a sua economia se baseia na agricultura e gado, e praticamente o que sustenta o estado não frutificou, é ver que o que produziria vida, não viveu, e as pessoas estão apenas a mercê do governo, dependo de algum programa governamental para serem sustentadas.

É uma situação desesperadora, é a mesma coisa que um estado inteiro estar desempregado, pois não há chuva, não a produção, não há oque vender, comprar ou comer, isso pode produzir um efeito na sociedade assustador, como por exemplo, começar a ocorrer assaltos constantes, violência nas cidades, desunião entre povoados ao pensar “cada um por si e Deus por todos”.

Porém eu observei justamente o contrario, a cada casa que entrei e pude ter o prazer de conversar com as famílias, vi a união entre eles, à preocupação com o próximo, o sentimento de poder ajudar também seu vizinho. A cada entrega de cesta básica de alimentos, as pessoas agradeciam como se fosse à coisa mais valiosa que ganharam nas suas vidas, e a cada vizinho que não estava em casa, os mesmos alertavam e diziam, pode deixar conosco, eles precisam até mais que a gente, você percebe que realmente há uma amizade e união nos vilarejos a pontos das pessoas se compadecerem do seu próximo e garantir o alimento do seu vizinho, este que não estava em casa. Isso sem mencionar a educação deste povo, dizem que alguns não sabem ler e escrever, mas entendem muito mais de amor e respeito que qualquer outra região que eu já estive. Em cada casa, fomos muito bem recepcionados, com sorrisos em meio à tristeza de região e da vida em si, e com abraços sinceros. Essas famílias procuravam nos oferecer sempre seu melhor, ora algum suco, ora algum tipo de alimento, e até sua própria já escassa agua. É impressionante ver essas pessoas oferecem a sua agua que esta em falta para um desconhecido que esta os visitando, se isso não for amor e humildade, é loucura!

Senti-me muito bem recepcionado em cada casa que visitava, desde a mais simples a visualmente melhor. E conversando com cada pessoa, ouvindo as suas historias, suas vidas, suas dificuldades e ainda a motivação de vida de cada uma delas, fazem me pensar que não pude conhecer pessoas melhores nesse Brasil, foi muito prazeroso, recordo-me de casa e pessoa, a cada entrega de alimento, os olhares e a emoção do presenteado, o agradecimento e a disposição de sair de sua própria casa até a cidade que estávamos para nos prestigiar em uma peça teatral preparada para todos eles.

Nosso objetivo era a evangelização das pessoas, levar Jesus até elas, apenas falar do amor de Deus por suas vidas e apresentar-lhes Jesus unicamente. Havia as divergências religiosas, como soubemos posteriormente, o Piauí, depois do vaticano, é o segundo lugar mais católico geograficamente. Porem, mesmo nos conversando e ensinando sobre Jesus, nenhuma dessas pessoas nos faltaram com respeito, por mais que tenham as suas convicções, não foram mal educadas, não nos expulsaram de suas casas, não nos ofenderam verbalmente e nos respeitaram em tudo, e se dizem que o piauiense tem sangue quente, não percebi, pois não houve um levantar de tom de voz em meio a isso, que povo educado e amável, digno de nos ensinar a respeitar o próximo.

Foram experiências gratificantes para serem testemunhadas, conversões a cristo, emocionantes entregas nas casas, conversas, diversas delas com muitas vidas e muitas historias, situações cômicas e engraçadas e muita superação, como havia dito no inicio, o que seriam uma barreira e uma dificuldade, nas mãos de Deus, foram ensinamentos de confiança Nele, para sabermos que nem calor, nem falta de agua ou catolicismo extremista pode impedir sua obra quando este quer se reunir a seu povo. Agradeço a Deus essa experiência e cada amizade que fiz neste sertão e fico realizado de ter participado dessa expedição missionaria.

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